Café Coado

caderno de uma cozinha pequena — grãos, água e paciência

A moagem do meu vizinho japonês

12 de setembro, domingo chuvoso

O seu João me trouxe um pacote de bourbon amarelo torrado ontem, moído grosso "do jeito da roça". Eu, esnobe de balança e termômetro, almost ri. Depois coei. Não ri mais. O homem coa há sessenta anos sem nunca ter ouvido a palavra TDS, e faz o melhor café desta rua.

Café bom não se mede, se chama o vizinho.

Passei a semana inteira tentando reproduzir a moagem dele com meu moedor de lâminas. Não consegui. Fui comprar um de pedras.

ver o modo de coar na panamense →

Filtro de pano: uma defesa

28 de agosto

Dizem que o pano "segura os óleos". Dizem que é antiquado. Dizem que dá trabalho. Todas as três coisas são verdade, e mesmo assim eu não largo o meu desde 2019 — é o único método que me faz acordar achando que valeu a pena.

Sobre água, que quase ninguém fala

3 de agosto

Se o seu café sai amargo e seco, jogue fora o grão... é brincadeira. Meça a água. A minha sai da torneira com 210 ppm e um gosto de "piscina elegante". Com um filtro de carvão barato, o mesmo grão virou outra coisa. Foi a maior melhoria por real que já fiz no café.